comida portuguesa para a cozinha portuguesa

É com este excelente programa, que infelizmente só passa na televisão por cabo e sem justa divulgação (nenhuma, para dizer a verdade), que faço a ponte entre o tema ao qual inicialmente dediquei este espaço e o projecto que se segue, assente na promoção de uma alimentação sustentável através de uma nova cultura alimentar (i.e. mudança de comportamento através da sua vertente emocional e social).

Na edição de 29 de Abril do Portugal Português fala-se português de Portugal, claro e sem complicações. Durante os 47 minutos do programa a jornalista Paula Magalhães, Jaime Ferreira, Presidente da Agrobio e André Gomes Pereira, produtor biológico da Quinta do Montalto, discutem questões que poderão ser mais ou menos próximas ao consumidor português. Temas que concernem a todos – como compreender que basta comprar grande parte dos produtos biológicos indo aos locais onde os produtores os vendem directamente para que tenham um preço igual ou menor que os de agricultura convencional e também biológica distribuídos nos supermercados (3’20”) – e outras de alcance mais restrito, para quem pode e está disposto a fazer um pouco mais que o pequeno contributo (pessoal e colectivo) – como princípios para iniciar uma produção biológica ou compreender a ciência por detrás da manutenção de uma casta biológica de vinho (6’12”).

Neste programa fala-se de saúde, carteira e ambiente.
Para que que possam “circular” livremente pelo seu conteúdo, passo a enumerar alguns dos temas:
– dados estatísticos sobre a agricultura biológica, os seus produtores e consumidores;
– importância e benefícios provenientes do hábito de consumo desses produtos, invariavelmente de época (5’24” e 37’40”);
– o sério alienamento do consumidor relativamente ao que consome (11’00”);
– o futuro da agricultura biológica na nossa sociedade como casamento entre a sabedoria do passado e o actual desenvolvimento tecnológico de ponta (11’25”);
– a agricultura biológica como potenciadora de emprego e de auto-subsistência do consumidor (14’08”);
–  uma reportagem sobre um produto DOP (17’46”);
– algum esclarecimento sobre o que implica a prática desta agricultura (22’10”);
– a história da Maria Feliz (26’00”), que sabe bem que “o afastamento do Homem da Natureza traz muitos problemas de saúde e mentais” e que “se tudo o que consumirmos for obtido da água, do ar, do Sol e da terra obtemos o equilíbrio necessário”;
– uma reportagem sobre o aparecimento e expansão a olhos vistos de mercados 100% biológicos (não confundir bio com nacional) como a cadeia Brio (33’00”);
– o verdadeiro valor a longo prazo por escolher consumir biológico (39’40”);
– um projecto louvável (40’35”);
– e a suma de tudo isto na relação fundamental entre o investimento na saúde e o respeito pelo ambiente.

Hei-de desenvolver dos muitos temas aqui indicados assim que tiver a coragem de me atirar a um post inteiramente dedicado à minha principal referência para o novo projecto, que já tenho vindo a mencionar aqui como breve referência e nota de rodapé: Food Rules (Michael Pollan, 2009).

Outra coisa interessante, não deixando de ser lamentável, é constatar que o problema da perpetuação dos problemas, passo a redundância, não se encontra na informação per se mas na sua divulgação – onde e de que forma é difundida. Ou seja, na comunicação. Ainda que seja algo actualmente já bastante discutido, este é na minha opinião o grande calcanhar de Aquiles dos meios de comunicação e, por conseguinte, o do consumidor que sofre as sequelas de forma muitas vezes silenciosa e por vezes dura.